Durante
todo este texto o termo ditadura refere-se ao significado romano
da palavra, isto é, a ditadura era o período de seis meses
concedido a um senador para exercer o poder executivo e civil. Durante a República
esta nomeação era realizada em períodos de crise extrema. Assim, ditadura tratava-se
de uma forma de magistério e não de um regime político.
Mais tarde, Sula e Júlio César, os vencedores das primeiras guerras civis que
dariam origem ao Principado usaram o título dictator de forma mais permanente
(século V a.C. a I a.C.).
A
corona civica, ou corôa cívica, era um entrançado
de folhas de carvalho que formava uma coroa. Durante a República e no
Principado que se lhe seguiu, era considerada a segunda mais alta condecoração
militar. Era reservada para homens que salvassem a vida de colegas soldados
e que aguentavam a posição onde esse colega estava até
ao final da batalha. Depois da reforma constitucional de Sula, todos os detentores
da corona civica tinham direito ao título de senador. O titular da corona
era obrigado por lei a exibir em público a corona civica em qualquer
evento público. Mais tarde tornar-se-ia apenas privilégio dos
imperadores romanos. O primeiro imperador a recebê-la foi Augusto por
ter salvo a vida dos cidadãos de Roma ao terminar a guerra civil].
Gaius
Julius Caesar (ou Caio Júlio César) é uma das
personalidades históricas que mais influenciou o mundo Ocidental.
É das muito poucas personalidades que ainda influenciam o
mundo. Foi um dos criadores de muitos dos fundamentos das sociedades
ocidentais modernas tendo afectado áreas tão diversas
como a política, o direito, as forças armadas e mesmo
a cultura. Aconteceria o mesmo com Augusto (o primeiro Augusto)
e com outros homens romanos. Mas poucos mantêm tamanha influência
em áreas tão diferentes.
Ainda hoje são visíveis muitos efeitos da sua experiência
política, através do estudo da sua vida e do seu trabalho.
Muitos dos pais fundadores dos Estados Unidos da América
eram estudiosos de César, muitos dos aspectos organizacionais
de sectores militares, civis e políticos devem-se ao estudo
aprofundado e adaptação de problemas resolvidos no
tempo de Júlio César. Muitos corpos jurídicos
da Europa Continental (particularmente a área constitucional)
reflectem preocupações de aprendizagem com a experiência
do tempo de César, uma das peças de dramaturgia mais
conhecidas de todos os tempos é inspirada nos últimos
anos da sua vida e até uma das bandas desenhadas mais conhecidas
em todo o mundo foi inspirada pela sua obra sobre as campanhas na
Gália, "DE BELLO GALLICO".
Para alé disso, continua a suscitar uma grande interesse
humano. Foi um colosso humano não porque foi um grande general
mas pelas suas qualidades humanas absolutamente acima da média.
Tinha vários talentos, como a sua enorme capacidade de oratória
e de escritor, um muito bom legislador, excelente político,
um comandante militar perserverante, conseguindo recuperar de derrotas
ao admitir que errara por vezes, o seu enquanto pessoal que usava
para dominar multidões quer no senado quer em campanha. Essas
características permitiram-lhe dominar multidões em
Roma e seduzir muitas mulheres. Enquanto comandante e político
cometeu erros mas nessas actividades não existe nenhum ser
humano que não os tenha cometido.
Gaius Julius Caesar nasceu a 13 de Julho de 100 a.C. (permanecem
dúvidas quanto ao ano), segundo o calendário gregoriano
moderno. Os Júlios Césares eram uma família
patrícia que se dizia descendente da deusa Vénus.
Apesar dos esforços propagandísticos desta família
de aristocratas romanos, durante todo o século II a. C. apenas
conseguiram um cônsul. As primeiras informações
sobre a notoriedade de Gaius datam da segunda ditadura
de Sula*. Por essa altura, teria exibido retratos de Mário,
no funeral da sua tia Júlia (Júlia era a viúva
de Mário).
Cerca de 80-78 a.C., iniciou a carreira militar. Combateu na fronteira
asiática onde obteve a corona
civica.
É durante o seu regresso que se inicia um dos factos que
iriam aumentar grandemente a fama de Gaius. O navio em que viajava
foi tomado por piratas e Júlio César feito refém.
Ao que parece, durante o tempo em que esteve aprisionado, terá
afirmado por diversas vezes que haveria de regressar e crucificar
cada elemento da tripulação pirata. Após o
pagamento do seu resgate, reuniu tropas suficientes, através
dos seus recursos financeiros, entre os aliados de Roma geograficamente
mais próximos e, de facto, regressou para cumprir o que havia
dito que faria. Como acto de piedade ordenou que os piratas fossem
degolados antes da crucifixação.
É possível que, em 72 a.C., tenha sido tribuno militar
e pode ter servido na Guerra Servil contra Espártaco.
O seu maior feito ao serviço da República foi a subjugação
das várias tribos celtas dos territórios da actual
França, Bélgica, Holanda, Suiça, Itália
do Norte e boa parte da Alemanha: aquilo que os romanos chamavam
de Gália. Depois de muitos anos de violenta resistência,
as tribos Celtas da Gália foram subjugadas pelo poder do
exército romano. Napoleão diria mais tarde que não
foi o exército romano que conquistou a Gália mas o
génio estratégico e táctico de César
enquanto general.
A vitória dos romanos foi sangrenta, uma vez que, na altura,
as campanhas militares recorriam à violência em vasta
escala em muitas circunstâncias. Como forma de afirmar o poder
de um grupo, como forma de limpeza de um território para
ocupação, como forma de vingança de actos violentos,
etc. A própria sociedade romana era violenta, fundada num
acto que envolveu a violação de centenas de mulheres
de uma cidade vizinha, e as suas forças armadas não
fugiam à regra. No caso das forças armadas tratava-se,
muitas vezes, de afirmar o poder da República e, mais tarde,
do Principado.
Noutros casos eram as próprias circunstâncias de inimigos
particularmente ferozes que obrigavam a tácticas militares
especialmente violentas.Numa luta que durou mais de nove anos, os
romanos mataram cerca de um milhão de Celtas e aprisionaram
outros tantos para servirem a República Romana como escravos.
Como é aparente na descrição das campanhas
de César, este tinha algo para provar por motivos políticos
(quer no âmbito da política externa da República
quer no da política interna) e a campanha militar deveria
ser tão exemplar que lhe assegurasse uma posição
cimeira na vida política da República. No século
I a. C., Roma dominava o Mediterrâneo. Possuía províncias
desde a Hispânia (Península Ibérica) à
Síria. Contudo, embora a Cidade-Estado romana se tivesse
transformado numa super-potência do mundo antigo, desde que
haviam conquistado e absorvido os Etruscos até terem derrotado
os cartagineses, ainda se considerava uma República.
O Poder continuava entregue à aristocracia, num Senado não
eleito. Mas os Magistrados eram eleitos. E isso iria fazer toda
a diferença na vida da República e de Júlio
César. Os principais Magistrados eleitos eram os Cônsules,
dois dos quais eram eleitos para servirem de chefes de Estado durante
um ano. Em 60 a. C., o principal Cônsul eleito foi César
(continua...)