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Gaius Julius Caesar I

Introdução

Gaius Julius Caesar (ou Caio Júlio César) é uma das personalidades históricas que mais influenciou o mundo Ocidental. É das muito poucas personalidades que ainda influenciam o mundo. Foi um dos criadores de muitos dos fundamentos das sociedades ocidentais modernas tendo afectado áreas tão diversas como a política, o direito, as forças armadas e mesmo a cultura. Aconteceria o mesmo com Augusto (o primeiro Augusto) e com outros homens romanos. Mas poucos mantêm tamanha influência em áreas tão diferentes.

Ainda hoje são visíveis muitos efeitos da sua experiência política, através do estudo da sua vida e do seu trabalho. Muitos dos pais fundadores dos Estados Unidos da América eram estudiosos de César, muitos dos aspectos organizacionais de sectores militares, civis e políticos devem-se ao estudo aprofundado e adaptação de problemas resolvidos no tempo de Júlio César. Muitos corpos jurídicos da Europa Continental (particularmente a área constitucional) reflectem preocupações de aprendizagem com a experiência do tempo de César, uma das peças de dramaturgia mais conhecidas de todos os tempos é inspirada nos últimos anos da sua vida e até uma das bandas desenhadas mais conhecidas em todo o mundo foi inspirada pela sua obra sobre as campanhas na Gália, "DE BELLO GALLICO".

Para alé disso, continua a suscitar uma grande interesse humano. Foi um colosso humano não porque foi um grande general mas pelas suas qualidades humanas absolutamente acima da média. Tinha vários talentos, como a sua enorme capacidade de oratória e de escritor, um muito bom legislador, excelente político, um comandante militar perserverante, conseguindo recuperar de derrotas ao admitir que errara por vezes, o seu enquanto pessoal que usava para dominar multidões quer no senado quer em campanha. Essas características permitiram-lhe dominar multidões em Roma e seduzir muitas mulheres. Enquanto comandante e político cometeu erros mas nessas actividades não existe nenhum ser humano que não os tenha cometido.

Gaius Julius Caesar nasceu a 13 de Julho de 100 a.C. (permanecem dúvidas quanto ao ano), segundo o calendário gregoriano moderno. Os Júlios Césares eram uma família patrícia que se dizia descendente da deusa Vénus. Apesar dos esforços propagandísticos desta família de aristocratas romanos, durante todo o século II a. C. apenas conseguiram um cônsul. As primeiras informações sobre a notoriedade de Gaius datam da segunda ditadura de Sula*. Por essa altura, teria exibido retratos de Mário, no funeral da sua tia Júlia (Júlia era a viúva de Mário).

Cerca de 80-78 a.C., iniciou a carreira militar. Combateu na fronteira asiática onde obteve a corona civica.

É durante o seu regresso que se inicia um dos factos que iriam aumentar grandemente a fama de Gaius. O navio em que viajava foi tomado por piratas e Júlio César feito refém. Ao que parece, durante o tempo em que esteve aprisionado, terá afirmado por diversas vezes que haveria de regressar e crucificar cada elemento da tripulação pirata. Após o pagamento do seu resgate, reuniu tropas suficientes, através dos seus recursos financeiros, entre os aliados de Roma geograficamente mais próximos e, de facto, regressou para cumprir o que havia dito que faria. Como acto de piedade ordenou que os piratas fossem degolados antes da crucifixação.

É possível que, em 72 a.C., tenha sido tribuno militar e pode ter servido na Guerra Servil contra Espártaco.

O seu maior feito ao serviço da República foi a subjugação das várias tribos celtas dos territórios da actual França, Bélgica, Holanda, Suiça, Itália do Norte e boa parte da Alemanha: aquilo que os romanos chamavam de Gália. Depois de muitos anos de violenta resistência, as tribos Celtas da Gália foram subjugadas pelo poder do exército romano. Napoleão diria mais tarde que não foi o exército romano que conquistou a Gália mas o génio estratégico e táctico de César enquanto general.

A vitória dos romanos foi sangrenta, uma vez que, na altura, as campanhas militares recorriam à violência em vasta escala em muitas circunstâncias. Como forma de afirmar o poder de um grupo, como forma de limpeza de um território para ocupação, como forma de vingança de actos violentos, etc. A própria sociedade romana era violenta, fundada num acto que envolveu a violação de centenas de mulheres de uma cidade vizinha, e as suas forças armadas não fugiam à regra. No caso das forças armadas tratava-se, muitas vezes, de afirmar o poder da República e, mais tarde, do Principado.

Noutros casos eram as próprias circunstâncias de inimigos particularmente ferozes que obrigavam a tácticas militares especialmente violentas.Numa luta que durou mais de nove anos, os romanos mataram cerca de um milhão de Celtas e aprisionaram outros tantos para servirem a República Romana como escravos. Como é aparente na descrição das campanhas de César, este tinha algo para provar por motivos políticos (quer no âmbito da política externa da República quer no da política interna) e a campanha militar deveria ser tão exemplar que lhe assegurasse uma posição cimeira na vida política da República. No século I a. C., Roma dominava o Mediterrâneo. Possuía províncias desde a Hispânia (Península Ibérica) à Síria. Contudo, embora a Cidade-Estado romana se tivesse transformado numa super-potência do mundo antigo, desde que haviam conquistado e absorvido os Etruscos até terem derrotado os cartagineses, ainda se considerava uma República.

O Poder continuava entregue à aristocracia, num Senado não eleito. Mas os Magistrados eram eleitos. E isso iria fazer toda a diferença na vida da República e de Júlio César. Os principais Magistrados eleitos eram os Cônsules, dois dos quais eram eleitos para servirem de chefes de Estado durante um ano. Em 60 a. C., o principal Cônsul eleito foi César (continua...)

 

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